Filhos

Escrito por Conversando com Educação. Publicado em Pais e Filhos.

Créditos: Verissimo  - Jornal O Estado de S. Paulo 15 de julho 2018

Hoje o convite é para refletirmos sobre o tema filhos sob o ponto de vista do escritor Luis Fernando Verissimo.

Os filhos nunca acreditam que crescer é perigoso. Não adianta avisar para continuarem crianças. Eles crescem e vão embora. E depois se queixam.

Tem a história daquele pai que concebeu dois filhos do barro, Adão e Eva. Naquele tempo não precisava mãe. O pai fez o que pôde pelas crianças. Elas tinham tudo, nunca lhes faltou alimento ou agasalho. Se queriam um cachorro ou um macaco para brincar, o pai fazia. Se queriam uma pizza, o pai criava, ou mandava buscar. Se queriam saber como era o mundo lá fora, o pai dizia que não precisavam saber. Eles não eram felizes não sabendo nada, ou só sabendo o que o pai sabia por eles? A felicidade era não saber. As crianças eram felizes porque não sabiam.

O Adão ainda era acomodado, mas a Evinha... Um dia o pai a pegou descascando uma banana. Nem ele sabia o que a banana tinha por dentro, mas a danada da menina descobriu, e antes que ele pudesse dizer “Dessa fruta não co...” ela já tinha comido. E gostado. Foi então que ele decidiu impor sua autoridade paterna, pelo menos na área dos hortifrutigranjeiros, e determinar que frutas do quintal podiam e não podiam ser comidas, e escolheu uma fruta como a mais proibida de todas, pois se comesse dela a menina saberia. Saberia o quê?  O pai não especificou. Só disse que o que saberia seria terrível, e que depois não se queixasse. E Eva comeu da fruta mais proibida, claro, e o pai foi tomado de grande tristeza. E disse a Eva que agora ela sabia o que não precisava saber, e que nunca mais seria a mesma.

- O que sei de tão terrível que não sabia antes? – perguntou Eva, ainda mastigando a fruta proibida.

- Que você pode desobedecer. Que você pode escolher, e pensar com sua própria cabeça, e me desafiar.

E então o pai disse a frase mais triste que um pai pode dizer a um filho:

- Que você não é mais uma criança.

A caverna de cada um

Escrito por Coversando com Educação. Publicado em Blog.

Acabamos de acompanhar todo o processo de resgate dos meninos da Tailândia, que foram pegos de surpresa por adversidades climáticas. Tiveram que, obrigatoriamente, se abrigar numa caverna  para sobreviver. Para fugir dos perigos de inundação foram, cada vez mais, se afastando do ponto de origem.

A dura realidade mobilizou o mundo. Quem não sofreu com eles? 

Qual professor e quantos pais não se viram aprisionados naquela caverna? 

Sabemos o quanto é importante o vínculo afetivo na figura do adulto, a confiança na relação do grupo e o poder da fé e esperança. 

Podemos supor que esse grupo tem qualidades muito especiais! O que vimos foi: calma, paciência, resistência física, inteligência emocional,  autocontrole, obediência diante da diversidade e muita resiliência. E na pureza da infância e no protagonismo da adolescência,  jovens tiveram que superar medos, a fúria da natureza em prol da vida! Haja maturidade! Haja força! Haja confiança! Haja controle! 

Esse acontecimento trouxe uma dura lição de vida para todos nós!

As mais diversas contribuições surgiram sem ninguém pedir nada em troca.  Os voluntários assinaram a lista de presença com coragem, precisão, sabedoria, conhecimento, muita bravura e determinação.

Escolher caminhos, planejar trajetos, realizar procedimentos e enfrentar desafios foram metas arriscadas que deram certo. Ainda bem!

Com fé, confiança, orações e  envolvimento das pessoas, vimos  o incerto se transformar em possibilidades, salvamento e aprendizagem.

 

Conversando com Educação - 2013. Desenvolvido por